Você conhece o poder afetivo da comida?

O comfort food vai muito além de nutrir o corpo, é uma forma de resgatar lembranças e alimentar a alma

 

Quem não tem lembranças felizes da mãe ou avó preparando algo especial na cozinha? Isso acontece por conta da memória afetiva que a comida nos proporciona, podendo nos lembrar das sensações de carinho, aconchego e boas recordações da infância. É a comida afetiva, conhecida também como comfort food (comida conforto), que pode ser definida como aquela comida que, quando consumida, gera um estado de prazer e conforto psicológico.

 

Estudos apontam que comemos alguns tipos de alimentos porque podem provocar sentimentos de conexão com as pessoas. O comfort food é capaz de gerar um estado agradável e confortável, por isso, a comida afetiva é consumida especialmente quando há um desejo. É uma maneira de nos reconectar a valores que nem sempre podem ser resgatados com a correria do dia a dia.

 

A comida é uma forma de expressão e relação entre as pessoas, que possuem motivos pessoais associados aos seus valores culturais e sociais diante da alimentação. “A comida afetiva geralmente é aquele prato simples, como o feijão com arroz, o doce preparado em uma data especial ou o mingau quentinho feito pela avó”, afirma Beatriz Botequio, nutricionista da Equilibrium Consultoria e consultora do SABE portal.

 

Uma pesquisa feita com 264 estudantes de graduação de uma universidade dos Estados Unidos avaliou comidas que provocam neles a sensação de bem-estar e conforto.  Foram coletados dados que puderam classificar a comida em quatro categorias:

 

  • Nostálgica: é aquela associada a um determinado período na história do indivíduo, que remete às lembranças de refeições com pessoas queridas;
  • Indulgência: provoca um sentimento de compreensão, no qual a comida proporciona um sentimento de prazer, desconsiderando seu valor nutricional;
  • Conveniência: é a comida fácil de preparar ou de se ser obtida, levando em consideração o conforto emocional e a sua praticidade;
  • Conforto físico: provoca bem-estar físico e emocional por conta de sua composição, textura e temperatura.

As escolhas alimentares de cada um, no caso da comida afetiva, estão associadas às lembranças e sensações que elas podem provocar. “O comfort food vai muito além do ato de nutrir o corpo, é uma forma de resgatar lembranças e alimentar a alma”, conclui a nutricionista.

 

Referências:

 

Troisi JD, Gabriel S, Derrick JL, Geisler A. Threatened belonging and preference for comfort food among the securely attached. Apetite. 2015 Jul; 90: 58-64.

 

Gimenes MHSG. Comfort food: sobre conceitos e principais características. Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade. Vol. 4 no 2. São Paulo, 2016.

 

Locher J, Yoels W, Maurer D, Van Ells J. Comfort foods: an exploratory journey into the social and emotional significance of food. In: Food and foodways: explorations in the history and culture of human nourishment, 2005.